Enrolação de dependências - parte II

7 de Março de 2008

Antes de prosseguir, leia: http://cabritin.wordpress.com/2008/03/06/enrolacao-de-dependencias-parte-i/

Inversion of Control - IoC (inversão de controle)

Podemos definir inversão de controle como sendo simplesmente a transferência de uma ou mais responsabilidades para uma entidade exterior, que decidirá o momento e a ordem de ocorrência dos eventos inerentes a essas responsabilidades. Esse princípio já existe há muito tempo, e não se restringe somente ao mundo da computação.

Por exemplo, se você tem uma conta pra pagar, você se encaminha ao banco e paga. Ou seja, é sua responsabilidade controlar o evento “pagar minha conta”, e é você quem toma a decisão do momento em que deseja pagá-la. Porém, se você não tem tempo e pede para sua irmã efetuar o pagamento para você, você transferiu a responsabilidade sobre o evento “pagar minha conta” para ela. Assim, ela é quem vai tomar a decisão do momento de pagar a conta, lhe devolvendo o comprovante de pagamento.

Uma expressão famosa que ilustra a IoC é enunciada pelo princípio de Hollywood: “don’t call us, we call you”.

Dentro da computação, uma aplicação do conceito de inversão de controle pode ser encontrada em ferramentas baseadas em programação orientada a eventos, como o Delphi e o Visual Basic. Um programa orientado a eventos consiste, muito simploriamente, em um laço principal com duas seções: detecção e tratamento de eventos:

main()
    repita
        // Detecta eventos registrados pelo programador
        detecte_eventos()
        // Executa os eventos registrados
        trate_eventos()
    fim
fim

Quando desenvolvemos aplicações gráficas usando as IDEs referenciadas, utilizamos um framework de criação e gerenciamento de janelas e eventos (no Delphi para Win32, por exemplo, esse framework é o VCL, que significa Visual Component Library) , e esse framework fica responsável por executar o laço acima. Tudo o que precisamos fazer é definir os eventos em nosso programa e registrá-los; nós não somos mais responsáveis por executá-los. As IDEs fornecem inúmeros recursos para facilitar o registro desses eventos.

Note que, se implementarmos o laço por nós mesmos, não estamos invertendo controle de coisa alguma! Utilizar programação orientada a eventos não implica necessariamente em utilizar inversão de controle. Para isso, devemos usar alguma entidade externa - um framework, ou uma biblioteca - que execute o laço para nós e cuide das questões inerentes à detecção e tratamento de eventos.

Podemos encontrar outra aplicação de inversão de controle no paradigma orientado a objetos. Sim, estamos falando da injeção de dependências, um tipo de inversão de controle onde a responsabilidade a ser “invertida” é o processo de obter dependências. Será o tema da próxima parte deste artigo, onde retomaremos o exemplo desenvolvido na primeira.

Até lá.

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Uma resposta para “Enrolação de dependências - parte II”

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