Antes de prosseguir, leia: http://cabritin.wordpress.com/2009/08/11/oxente-rails-dia-1/
Após um surpreendente primeiro dia, era difícil de imaginar que o segundo seria ainda mais empolgante.
Palestras
Ao contrário do primeiro post, não vou citar as palestras na ordem em que ocorreram porque já não me lembro direito
Quero agradecer ao meu amigo Jean por ter me deixado usar seu MacBook para fazer alguns tweets durante o dia, valeu Jean!
As boas vindas começaram com cerca de uma hora de atraso, talvez consequência da comemoração do dia anterior. O primeiro palestrante mostrou como seu site desenvolvido em Ruby on Rails pode ser integrado ao PagSeguro, um sistema de pagamento on-line que foi inclusive utilizado pelos organizadores do evento para processar os pagamentos dos participantes.
A partir daqui as palestras não seguiram mais o roteiro original. Não ficaram claros os motivos, e no final das contas ninguém se importou, porque os organizadores conseguiram lidar com o imprevisto com maestria e aplicaram a essência da metodologia ágil para reorganizar o roteiro e criar novas atividades!
Durante a manhã o Tapajós e o Mergulhão realizaram mais uma “pair presentation” que estava originalmente programada para a sexta, cujo objetivo era mostrar um cenário real de escalabilidade de um sistema Rails – o RedeParede, um sistema de classificados on-line – para mandar para a cucuia de uma vez por todas esse boato de que Rails não escala, que já se tornou um mantra repetido por aqueles que ainda mantém o ceticismo em relação à tecnologia.
Devido à controvérsia Twitter, já tinha chegado a pensar que não era fácil escalar um sistema desenvolvido em Rails. Porém os palestrantes mostraram que não é tão diferente de escalar um software escrito em outra plataforma. Provaram por A + B que é totalmente viável. Tive também a oportunidade de tirar uma dúvida com eles sobre a implementação Ruby que eles usavam pra rodar os application servers.
O Dante Régis realizou a sua palestra mostrando formas de efetuar deploy de aplicações Rails, ilustrando através do seu dia a dia no Tribunal de Justiça de Sergipe, onde ele trabalha. Sua participação na adoção de Ruby on Rails na instituição deve servir como exemplo de que é possível usar a tecnologia em locais com muita formalidade e burocracia.
Tarde
No sábado decidi não almoçar no local do evento, pois percebi que uma galera ia almoçar no Midway e eu não queria perder a oportunidade de me entrosar com o pessoal. Dos palestrantes, consegui conversar um pouco com o Mergulhão e devo dizer que me surpreendi com sua simplicidade. Consegui fazer amizade com outros participantes também.
Não lembro direito a ordem como as coisas aconteceram durante a tarde, então desculpem se estou citando os eventos fora da sequência. Só sei que a primeira palestra foi um vídeo de Geoffrey Grosenbach sobre seus três anos de Peep Code. Não assimilei absolutamente nada pelo mesmo motivo do dia anterior: bucho cheio. Dessa vez agravado pelo fato da palestra ser em inglês e meu aparelhinho para acompanhar a tradução estar com mal contato no fone de ouvido.
Jogo de comunicação
O primeiro ponto alto da tarde foi o jogo de comunicação organizado pelos palestrantes e trazido para o evento por Tapajós e outros. O público foi dividido em duas equipes, cada uma subdividida em dois grupos que chamarei de A e B. Na primeira rodada, o grupo A de cada equipe tomou posse de dois desenhos e ficou com a responsabilidade de passar dicas sobre os mesmos para o grupo B através de pequenos papéis escritos; este deveria tentar reproduzí-los baseando-se unicamente nas descrições, sem qualquer outra forma de comunicação.
Ao final da primeira rodada os resultados finais foram apresentados, e o esperado aconteceu: a reprodução ficou bastante distorcida em relação ao original. Então os organizadores do jogo aplicaram algumas práticas de agilidade e instituiram que cada equipe deveria analisar as causas que acarretaram na distorção e corrigí-las. Uma vez levantados os pontos falhos – e enumeradas as sugestões para lidar com eles – era hora de iniciar a segunda rodada, mas dessa vez os papéis dos grupos foram trocados: o grupo B tomou posse dos desenhos enquanto o grupo A ficou de tentar reproduzí-los. Dessa vez uma das equipes, a que estava situada no auditório, mostrou sua capacidade de autocorreção e conseguiu confeccionar uma reprodução bastante fiel à original. Já o desempenho nessa etapa da equipe que ficou no palco foi pior do que na primeira…
E adivinham em qual equipe eu estava? A do palco
Tivemos que usar chapéu de palhaço durante toda a palestra que se seguiu hehe.
Mas tudo bem, eu estava muito feliz por ter participado da experiência – e também por ter sido sorteado com um livro de REST sobre Rails!
Etapa final
Após um rápido coffe-break, tivemos o segundo ponto alto da tarde: uma “mesa redonda” com os palestrantes, onde todos eles foram colocados diante do público do evento para uma conversa frente a frente sobre temas relacionados – ou não – ao evento e ao mundo Rails. Muito interessante o fato de que todos eles se sentaram à frente do palco, fazendo-nos esquecer a hierarquia palestrante-espectador e trazendo um tom de informalidade. As perguntas eram realizadas pelo microfone ou via Twitter – a página do Twitter do evento foi exibida no telão e os participantes podiam interagir em tempo real.
A penúltima palestra foi uma das que eu mais estava esperando. Paulo Fagiani falou um pouco sobre JRuby e toda a integração Java-Ruby que a implementação proporciona. Eu como desenvolvedor Java particularmente estudo Rails em casa rodando tudo sobre o JRuby e deployando nos servidores de aplicação disponíveis para a plataforma Java.
E a última palestra seguiu um modelo mais informal mas não menos agradável. Jon Larkowski apresentou-nos seu dia a dia como desenvolvedor da Hashrocket num tom bastante irreverente. Ele dissecou o manifesto ágil categorizando as práticas do XP de acordo com a semântica de cada linha e mostrou o “Hashrocket way” de fazer as coisas
Foi a única palestra internacional que consegui acompanhar sem o aparelhinho que transmitia a tradução. Pudemos também ver algumas fotos do ambiente de trabalho e de sua estadia na Cidade do Sol.
O evento novamente esticou para um Hora Extra. Eu novamente não fui. Shame on me
Considerações finais
O evento foi um sucesso. Simples assim. A comunidade Rails natalense mostrou sua força. Parabéns aos organizadores pela qualidade ímpar do evento, parabéns aos palestrantes pelo alto nível. E claro, parabéns a nós participantes pois “sem nosco” não haveria evento
Até o próximo Oxente Rails!